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50 anos de celebração do Dia da Consciência Negra

O dia 20 de novembro é marcado pelo dia da Consciência Negra. Essa data foi criada com o intuito de celebrar e conscientizar acerca da força, resistência e do sofrimento vivido pela população negra desde o período colonial.


Durante o período colonial, cerca de 4,6 milhões de africanos foram trazidos para o Brasil para serem feitos de escravos. A condição de vida dos negros durante este período era precária, pois, além de serem submetidos a trabalhos forçados, os escravos eram sujeitados a um tratamento degradante e humilhante, pois não havia reconhecimento desses enquanto indivíduos constituintes da sociedade. Dessa forma, eles não tinham direito à saúde, educação e a qualquer tipo de assistência social.


Além do tratamento ultrajante sofrido durante este período, de 1536 a 1888, após a abolição da escravatura, por meio da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, marcada pela intensa luta de ativistas abolicionistas do período imperial do Brasil, como o jornalista e advogado negro Luís Gama, os resquícios dessa conjectura escravagista permaneceram e, mesmo após a abolição , a população negra permaneceu sem qualquer tipo de assistência.


Dessa forma, muitos escravos recém-libertados optaram por continuar nas fazendas em que eram mantidos cativos, justamente por não terem para onde ir. Além disso, muitos negros eram analfabetos e não sabiam outro ofício, além do trabalho pesado em lavouras. No Rio de Janeiro, muitos escravos foram procurar as regiões difíceis de erguer construções na cidade (os morros) para construírem suas moradias, configurando as primeiras favelas.


Com condições precárias de sobrevivência e uma vida sem qualquer tipo de assistência, a população negra sentiu os efeitos dessa marginalização e continuou enfrentando muitas dificuldades para se consolidar socialmente, uma vez que os negros eram discriminados, não tinham acesso aos mesmos direitos que os brancos e sofriam perseguições. Diante dessa realidade, muitas comunidades negras (algumas inclusive remanescentes de quilombos), além de organizações sociais formadas por pessoas negras nas cidades, passaram a lutar pela igualdade racial e pela inserção da população negra na comunidade sem restrição de direitos.


Na década de 70, no ano de 1971, um grupo de jovens ativistas negros se reuniu para pesquisar sobre a luta de seus antepassados e debater acerca da legitimidade da data do dia 13 de maio, conhecida pela assinatura da Lei Áurea, como referência da luta e celebração do povo negro. No lugar dessa data, o grupo sugeriu o dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, referência e protagonista da luta dos escravos por liberdade e líder do maior quilombo do Brasil. Em 1978, surgiu o Movimento Negro Unificado, que passou a promover uma série de ações para pensar a consciência negra e lutar contra o racismo no Brasil. Graças ao movimento, o Dia da Consciência Negra tornou-se uma data lembrada todo ano como representativa para a luta da população negra.


Os quilombos eram comunidades formadas por negros escravizados que fugiam do tratamento tirano de seus senhores e escondiam-se em lugares de difícil acesso no meio das matas. O Quilombo dos Palmares foi o maior e mais duradouro dos quilombos registrados pelos estudos historiográficos. Estima-se que a sua formação tenha durado cerca de 100 anos e abrigado entre 20 mil e 30 mil habitantes. A localização territorial do Quilombo dos Palmares era na região da Serra da Barriga, atual estado de Alagoas.


Os quilombolas de Palmares atravessaram muitas batalhas e lutaram diversas vezes contra o exército português no Brasil e contra expedições promovidas por capitães e por fazendeiros de maio colonos. Zumbi consagrou-se um grande líder justamente por ser um grande estrategista militar e representante de forte resistência contra os colonos escravocratas.


Outra figura emblemática dentro do Quilombo de Palmares e, infelizmente, pouco lembrada é Dandara de Palmares. Apesar de poucas fontes historiográficas sobre a figura de Dandara, sabe-se que ela foi uma grande guerreira resistente. Fontes historiográficas apontam que ela foi esposa de Zumbi e teve com o líder quilombola três filhos. A morte de Dandara ocorreu em 1694, quando foi capturada. Para fugir da escravidão, a guerreira de Palmares cometeu suicídio jogando-se de um desfiladeiro.


Em 1694, vários quilombolas foram capturados na expedição realizada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Nessa expedição foi usada uma artilharia altamente pesada, inclusive canhões, conseguindo capturar o quilombola Antonio Soares que, em troca de sua liberdade, revelou o esconderijo do líder Zumbi.


Em novembro de 1695 as tropas de Domingos Jorge Velho capturaram Zumbi e mataram-no, degolando sua cabeça e expondo-a em praça pública. Além disso, os bandeirantes dominaram os quilombolas e desfizeram o quilombo.


Portanto, o dia 20 de novembro foi escolhido para representar o Dia da Consciência Negra por conta da ilustre e marcante figura que foi Zumbi dos Palmares para a luta contra a escravidão dos povos de origem africana.


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