Glícia Manso

Arteterapeuta AT 001 ES

Coordenadora Pedagógica Geral do Instituto Fênix de Humanização

"O que a Arte pode fazer pelo ser humano, é infinitamente maior do que o que podemos fazer com ela"

Nascida em Copacabana, Rio de Janeiro, radicada em Vitória há mais de 30 anos. Possui graduação em ARTES PLÁSTICA pela Universidade Federal do Espírito Santo (2000), graduação em ESTUDOS SOCIAIS pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (1979) e MESTRADO em programa de pós graduação em educação pela Universidade Federal do Espirito Santo (2010). É Especialista em Saúde Pública e é Arteterapeuta. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Arteterapia, atuando principalmente nos seguintes temas: Arteterapia, criatividade, Linguagem Visual, Autoconhecimento, Educação Emocional e Saúde mental dentro do Sistema Único de Saúde. 

Sua grande paixão é a Arteterapia. É pioneira no assunto aqui no Espírito Santo, e por isso vale à pena contar essa história. Portanto confira parte dessa história trecho da Monografia apresentada para conclusão da Pós Graduação lato sensu em Arteterapia de Alinne Manso.

Um novo saber pede passagem. Não foi com facilidade e sem trabalho árduo que a Arteterapia foi difundida em Vitória. Ao longo desses anos, ela, muitas vezes, trafegou entre “o repúdio de alguns e a descrença de outros”. 

A história do nascimento das profissões são, com frequência, histórias difíceis, repletas de percalços: histórias de luta. Com a Arteterapia não foi diferente: é a história de alguém que acreditou, buscou e trabalha até hoje para que a profissão seja encarada com seriedade pela sociedade, pelo mercado de trabalho e pelos poderes públicos.

 

No dia 25 de setembro de 2018 tive a oportunidade de entrevistar a precursora dessa área do saber em nosso estado acerca do nascimento desta profissão em terras capixabas: a Professora Mestre e Arteterapeuta Glícia Manso. Perguntei a ela como surgiu essa ideia e como ela fez para trazer esse saber para o Espírito Santo. Transcrevo alguns trechos dessa instigante entrevista que fala sobre a História da Arteterapia no Espírito Santo:

“Eu conheci a Arteterapia, que não tinha o nome de Arteterapia, através de um livro da Susan Bello. Eu estava fazendo Artes Plásticas… e eu já fui para as Artes Plásticas, interessada em trabalhar a arte no trato com o ser humano. Eu acreditava que a arte poderia estar fazendo algo pelo ser humano muito maior do que a produção de um objeto artístico e aí então por conta disso eu fui fazer Artes Plástica para entender um pouco dessa sensibilidade, dessas relações, comigo mesmo, e as relações interpessoais e onde a criatividade entrava nessa história. E em algum momento alguém me emprestou o livro da Susan Bello “Pintando a sua Alma” e fiquei encantada com o conteúdo do livro que vinha de encontro com tudo que eu ansiava. Tanto que o meu trabalho final de conclusão do curso de Artes Plásticas foi “O despertar da Sensibilidade”. Aí eu comecei a fomentar o desejo de fazer essa “tal” Arteterapia que não tinha aqui no Espírito Santo. E aí como se isso não bastasse eu fiquei vinte anos da minha vida trabalhando com várias expressões… como artesã com pessoas, e nesse trato meu com essas pessoas eu comecei a descobrir que as pessoas iam ali muito mais para conversar, para interagir, para serem ouvidas do que propriamente para aprender alguma coisa.

E eu comecei a conduzir minhas oficinas de artesanato dando esse acolhimento humano… e aí a coisa foi se propagando e as oficinas sempre cheias e eu fui então nessa trajetória e fiquei 20 anos. Então isso antecede o meu interesse pela Arteterapia mas fomentou esse desejo. Quando eu chego na universidade e logo depois cai nas minhas mão o livro da Susan Bello e eu começo a ler e ver que a proposta que ela trazia dessa criatividade à serviço da vida, eu vi que tinha tudo a ver comigo. “...eu conheci também uma senhora que era terapeuta ocupacional da prefeitura de Vitória, ela estava sempre nos meus cursos e um dia ela me interpelou: “Porque você não faz Arteterapia?” eu falei “Arteterapia? “É. Arteterapia, aqui não tem não, mas fora daqui tem…você é tão habilidosa no trato com as pessoas” Ela ia lá pegar algumas técnicas para trabalhar com as pessoas na prefeitura de Vitória...e aí então foram várias coisas que foram confluindo para esse desejo. Aí eu fiquei sabendo que só tinha Arteterapia em São Paulo e Rio de Janeiro e era impossível fazer porque só havia Arteterapia durante a semana. Um belo dia eu estou na praia em Manguinhos no verão de 1999, uma amiga minha foi até lá para me dizer que tinha aberto um curso de final de semana no Rio de Janeiro de Pós Graduação pra Arteterapia e que ela já tinha me inscrito inclusive. E eu fiquei muito surpresa porque falei “Meu Deus do céu, como vou fazer isso?” ir para o Rio de Janeiro toda semana né...e assim foi: ela me inscreveu, eu mandei a documentação, fui aceita e comecei a fazer esse curso e fiquei dezoito meses indo para o Rio de Janeiro, porque o curso tinha depois o estágio... enfim.

Me encantei com a Arteterapia e não me contentei só com aquele curso. Aí eu fui atrás da Susan Bello porque eu fiquei sabendo que ela ia dar um curso no Brasil lá em Brasília. E aí eu fiz então mais dois anos e meio com a Susan Bello. De seis em seis meses ela vinha para o Brasil, era um grupo de vinte mulheres, a gente se “cotizava” para pagar a presença dela aqui e aí então a gente ia para Brasília e ficava quinze dias em imersão, só vivendo, estudando e respirando Arteterapia… que foi com toda a sinceridade o que me deu chão porque foi uma vivência totalmente prática e durante um tempo de imersão que a gente não tinha direito nem de se comunicar em casa, naquele tempo não tinha acesso a celular como a gente tem hoje, mas a gente não podia nem ligar pra casa nesses quinze dias pra a gente viver o nosso processo terapêutico né, e aí eu acredito que é quando a gente vive o nosso processo terapêutico é que a Arteterapia passa a fazer sentido de fato, porque ela sai da teoria e vem para o experimento. Então foi essa minha trajetória, e eu fiquei encantada com isso e eu lembro que quando estava terminando o curso da Susan o avião estava pousando em Vitória e eu perguntei pra mim mesma: “Meu Deus preciso fazer algum coisa com isso” porque isso é tão bom, trouxe um diferencial tão grande pra minha vida que eu não posso ficar com isso pra mim. Eu não sei o que eu vou fazer mas eu vou fazer. E aí eu comecei a fazer várias atividades gratuitas no Banco do Brasil, na Escola Técnica Federal, na UFES, promovendo eventos para dizer o que era a Arteterapia e aí isso tudo culminou no primeiro seminário que eu fiz dentro da Universidade Federal. Eu trouxe os meus professores e algumas outras personalidades já desde os primórdios da Arteterapia no Brasil para estar falando aqui dentro de Universidade do que se tratava e aí eu faço um evento que se chama: Arteterapia? Você vai saber”.(G.M.)

Em 2001 foi lançada a campanha “Arteterapia? Você vai saber” um evento de atração para o I Seminário de Arteterapia do Espírito Santo que foi realizado no Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo em agosto de 2001 em parceria com o Centro de Artes da UFES. 

Essa foi de fato a primeira aparição pública da Arteterapia em Vitória, veiculada em meios de comunicação de massa e foi um evento que teve como característica principal os principais questionamentos em torno do desconhecimento desta área do saber tão nova para a população de Vitória, mesmo dentro dos ambientes institucionais de pesquisa, por isso a intenção de associar o evento à Universidade Federal do Espírito Santo, pois, dessa forma, pude ancorar os conhecimentos da Arteterapia a um ambiente comprometido com a seriedade e com a pesquisa e produção de conhecimento científico.

O evento contou com a presença de Arteterapeutas do Brasil, como: Joya Eliezer, Eveline Carrano, Angela Philippini e foram abordados temas, como: aspectos estruturantes da comunicação Arteterapêutica; forma, cor, movimento, som;  Aspectos Psicofísicos da Arteterapia; Aspectos Psicodinâmicos: imagens, símbolos, sonhos, mitos, narrativas lendárias e pessoais; Aspectos Qualitativos: Avaliação e diagnóstico; Arte e criatividade: a força e fluência dos materiais plásticos em Arteterapia; Arteterapia na educação: por uma pedagogia simbólica, processo de individuação e A construção da auto estima através da linguagem plástica.

Folder da primeira divulgação do  “I Seminário de Arteterapia do Espírito Santo” em 2001

“Uma das coisas que eu fiz logo que eu me formei foi logo pensar na regulamentação, então fundar a AARTES, aqui teve o 3º e o 4º Fórum nacional da UBAAT foi dentro da Universidade Federal , foi dentro da Universidade que se cunhou o nome UBAAT - União Brasileira das Associações de Arteterapia… e desde então começamos a trabalhar nesse constructo do que hoje a gente conhece como Arteterapia. Por isso, em 2000, logo que eu me formei, eu me associei ao Rio de Janeiro”.

 

Em 2001, atenta ao exercício regular e ao caráter profissional da Arteterapia, a Prof. Glícia Manso, funda a AARTES - Associação de Arteterapia do Espírito Santo. Foram inúmeras ações informativas e de divulgação do saber, do trabalho e do fazer Arteterapêutico na cidade de Vitória.  A atuação concentrada e massiva foi encontrando adeptos, pessoas curiosas e interessadas na profissão, no campo de atuação e na formação deste profissional. 

“E aí então para dar ciência não só a população como à comunidade acadêmica que era um saber com bases teóricas e com toda uma fundamentação experiencial, não só teórica e aí eu trago isso para a UFES e depois disso eu não parei mais. Depois disso eu trouxe inclusive a Susan Bello aqui em 2003. Comecei a participar de seminários, congressos, palestras no Rio em São Paulo, no Rio Grande do Sul. Onde eu via que tinha alguma coisa de Arteterapia eu queria estar presente pra buscar mais conhecimento para firmar os meus conhecimentos e isso foi me dando força, e eu então fui para o V Congresso Brasileiro de Arteterapia em Belo Horizonte.”

“Lá, (no V Congresso Brasileiro de Arteterapia em Ouro Preto - MG) me deram por unanimidade a presidência e a gestão do 6º Congresso Brasileiro de Arteterapia … e eu tive o apoio da Universidade Federal. Foi um Congresso maravilhoso que envolveu cinco departamentos: Educação Física, Enfermagem, Centro de Artes, Psicologia e até hoje foi o Congresso que mais obteve participação… foram 752 pessoas, sem experiência alguma eu cumpri a missão da melhor forma que pude e acho que os resultados foram muito bons porque os comentários perduram até hoje pelo Brasil afora.. quando a gente encontra alguém que participou ou que teve notícias.” (G.M.)

“e aí… acabou virando um Congresso de cunho internacional… eu tive participação de dois Arteterapeutas de Israel, Arteterapeuta de Viena que tinha ganhado naquele ano um prêmio com o trabalho que ela fez com adolescentes...uma professora que desenvolveu uma metodologia toda específica para trabalhar com deficientes visuais, a Amanda Ochatt, que inclusive deu um workshop dentro da Prefeitura de Vitória. Então esse foi o marco para começar a primeira turma que aconteceu em 2005, na Universidade Federal. O curso tinha o nome de Terapia das Artes, não Arteterapia porque ele tinha um tronco comum com a Musicoterapia. Na época o curso começou com mais de 60 alunos e infelizmente só teve essa única turma por várias questões burocráticas que não valem à pena citar… e então o curso estava fadado a morrer nessa primeira turma”. 

Folder e Fotos do 6º Congresso Brasileiro de Arteterapia, Vitória - ES, 2004

Ou seja, a Arteterapia, mesmo no cenário brasileiro pode contar, graças à professora Glícia Manso, com uma participação atuante e de grande relevância na cidade de Vitória, seja fazendo de forma gratuita workshops, minicursos, palestras, eventos, enviando ofícios para prefeituras dos estados e diversos outros serviços que foram realizados de forma persistente e dedicada.

Muitos anos se passaram, desde 2000, o Espírito Santo também recebeu com a presidência de Glícia Manso o 11º Congresso Brasileiro de Arteterapia que foi realizado em Guarapari. 

Folder de divulgação do 11º Congresso Brasileiro de Arteterapia, Outubro de 2014

Além disso, a militância e o trabalho constante das Arteterapeutas envolvidas nas Associações pelo Brasil lograram êxitos valiosos para a profissão. Um passo importantíssimo na direção da legalização e reconhecimento da Arteterapia no país foi concretizado. Agora a Arteterapia está presente na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO - 226310) – documento que reconhece, nomeia e codifica os títulos e descreve as características das ocupações do mercado de trabalho brasileiro. 

 

O mercado de Arteterapia no Espírito Santo vem crescendo dentro da iniciativa privada, como clínicas, hospitais, planos de saúde, recursos humanos de empresas, projetos sociais e diversas iniciativas que agora contam com a força de novos profissionais que se formam a cada ano no Instituto Fênix de Ensino e Pesquisa, a única instituição de ensino Espírito Santo que oferta um curso que segue os parâmetros nacionais definidos pela União Brasileira das Associações de Arteterapia e fiscalizados regionalmente pela Associação de Arteterapia do Espírito Santo.

CURSOS COM A PROF. GLÍCIA MANSO

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