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O que podemos aprender sobre Saúde Mental com Simone Biles

Simone Biles é conhecida mundialmente pelo seu talento na Ginástica, aos 24 anos, a jovem coleciona uma quantidade invejável de medalhas olímpicas e de mundiais – pasmem, essa quantidade já passa de 30. Para as Olimpíadas de Tóquio não havia outro nome tão forte quanto o de Simone, que estava cotada para ganhar pelo menos 6 medalhas de ouro, após o resultado de 4 medalhas de ouro nas Olimpíadas do Rio de 2016.


Embora bastante jovem, Simone possui a experiência de atletas renomados que já estão há bastante tempo na prática esportiva. Com esse currículo, em Tóquio era esperado que a ginasta não errasse, assim como sua presença já estava mais que garantida no posto mais alto do pódio. Mas, repentinamente, no dia 27 de junho o mundo foi surpreendido com o mau desempenho de Simone em uma das provas na competição por equipes, após encaixar um salto com erro na aterrissagem e tirar uma nota baixa para seus padrões, fazendo com que a ginasta desistisse da competição.


Com a notícia, a comissão técnica deu uma explicação bem generalista, dizendo que a atleta estava na reserva por “questões de saúde”. Porém a ginasta abriu o jogo e disse que seu caso não se tratava de uma lesão, mas de sua saúde mental. Em uma coletiva de imprensa, Simone afirmou que os Jogos estavam sendo bem estressantes e que ela sentiu necessidade de cuidar do seu bem-estar: "Acho que a saúde mental é mais importante nos esportes nesse momento. Temos que proteger nossas mentes e nossos corpos, e não apenas sair e fazer o que o mundo quer que façamos". Por diversas vezes a atleta já havia relatado em seu Instagram que sentia o peso do mundo em seus ombros.


Embora a decisão de Simone tenha chocado muitas pessoas, ela trouxe à tona a discussão da importância da saúde mental, nesse caso para atletas de alto rendimento. Além de Simone, outro episódio recente envolve a tenista japonesa Naomi Osaka, que decidiu abandonar a disputa de Roland Garros, importante campeonato de tênis, alegando que precisava priorizar sua saúde mental. Pelo mesmo motivo, ela se recusou a dar entrevistas e chegou a ser multada pela organização do torneio.


“São muitos os elementos potencialmente estressores na vida de um atleta. A rotina de treinamento, por exemplo, é muito árdua. Não bastasse, eles praticamente não têm vida social. Isso sem falar em torneios, resultados, patrocínios…”, enumera a psicóloga Thabata Castelo Branco Telles, presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte (Abrapesp). “Cada atleta lida de um jeito. Uns são mais brincalhões e levam numa boa. Outros, porém, sofrem bastante”.


Precisamos evidenciar que nas Olimpíadas deste ano tivemos um outro fator degradante para os atletas, a ausência de público, pois no contexto atual no qual estamos vivendo, a realização dos jogos foi condicionada a ausência de público durante o evento como forma de conter o avanço da COVID-19.


Além da rotina puxada de treinos, Simone passou por dificuldades dignas de um enredo de filme. Simone Arianne Biles nasceu em Columbus, no estado de Ohio, mas foi criada em Springs, no Texas. Sua mãe biológica, Shanon, sofria de dependência química e, como não tinha condições de criar os quatros filhos, eles foram levados para lares provisórios.


Simone e Adria, as irmãs mais novas, foram adotadas por Ronald, o avô materno, e sua segunda mulher, Nellie. Ao longo de sua carreira, Biles passou por outras dificuldades, como a de 2018 em que ela veio a público prestar solidariedade às ginastas e engrossar o número de denúncias de abusos sexuais contra Larry Nassar, ex-médico da delegação americana de ginástica.


Quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) confirmou o adiamento dos Jogos, Simone caiu no choro, pois ela tinha certeza de que havia mais um ano de muito trabalho e treinamento pela frente. Ao ser entrevista pelo The New York Times, Simone relatou que o momento mais feliz da sua carreira era o seu tempo livre.


Diante desses relatos, o que nós, meros mortais no quesito esportivo, podemos aprender com as dificuldades sentidas por essas atletas de alto desempenho? Primeiramente, que está tudo bem em não se sentir bem. Todos nós, em diferentes níveis, sofremos com as cobranças. Não somos exigidos como as atletas, só que a todo momento somos cobrados por um bom desempenho e precisamos entender, mais do que nunca, que somos seres humanos dotados de imperfeições e temos que lidar com elas todos os dias, não só lidar como aceitar.


Além disso, precisamos aprender a dar o tempo necessário para nos recuperarmos e entender que há algo de errado com a nossa saúde mental e procurar apoio especializado para lidar com esse mal que acomete tantas pessoas pelo mundo.


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